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Altermedia Portugal – na rede desde 17 de Junho de 2003: Numa era em que a mentira é universal, dizer a verdade é um acto revolucionário. (George Orwell)


O gigante da BD que Portugal desconhece

July 26th, 2009 · Post your comment (No Comments)

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Eurico de Barros – Hergé chamou a Willy Vandersteen “o Bruegel da banda desenhada”. Mas não tem quase nada editado entre nós.

Pergunta de algibeira: quem é o autor de banda desenhada mais popular do que Hergé e que vende mais álbuns do que Tintim no espaço do Benelux (Bélgica/Países Baixos/Luxemburgo)? A resposta é óbvia: Willy Vandersteen (1913-1990), um dos autores mais fenomenalmente prolíficos da Europa, e criador da dupla Suske  en Wiske (Bob e Bobette, em francês), cujas aventuras já ultrapassaram os 100 milhões de álbuns vendidos, mas cuja fama está muito confinada ao espaço de língua neerlandesa.

Vandersteen, que tem nesta altura uma enorme exposição retrospectiva na Maison de la Bande Dessinée, em Bruxelas, era um verdadeiro fenómeno da banda desenhada, profundamente ligado à história, à tradição artística e à identidade flamenga, bem como à realidade quotidiana e humana da sua Flandres natal, influenciado pelos comics  americanos clássicos (que descobriu ainda novo, quando começou a trabalhar como marceneiro no atelier de um tio) e dotado de uma capacidade criativa e de trabalho a roçar o sobre-humano.

Mesmo quando, a exemplo de Hergé, já dispunha de um estúdio cheio de colaboradores, a partir dos anos 50, do qual saía um álbum por semana de uma das suas personagens mais populares, com uma tiragem superior a 200 mil exemplares, Vandersteen continuava a desenhar várias séries ao mesmo tempo, e a criar novas personagens. Ora realistas ora fiéis à “linha clara” , cobrindo todos os géneros, do humor ao western, da ficção científica aos temas históricos e de ambiente contemporâneo.

Uma dessas muitas séries, Bessy, protagonizada por uma cadela moldada sobre a célebre Lassie, saiu em Portugal nos álbuns especiais publicados pela revista Cavaleiro Andante. Outras foram Le Cirque Zim Boum (Het Plezante Circus), De Familie Snock (La Famille Guignon), De Rodde Rider (Le Chevalier Rouge), Jerôme, Karl May, Biggles ou Safari.

Quando Hergé – que chamou a Vandersteen “o Bruegel da banda desenhada” – recorreu a ele para consolidar Kuifje, a edição da versão neerlandesa da revista Tintim, Willy Vandersteen desenhou oito aventuras de Bob e Bobette que são consideradas as melhores das personagens, bem como duas do herói flamengo Thyl Eulenspiegel, vários gags de Monsieur Lambique, um dos comparsas de Bob e Bobette, e a série Prince Riri. Dada a imensa popularidade de que Vandersteen gozava, as vendas de Kuifje dispararam, e o criador de Bob e Bobette entrou pela porta da frente no mercado francófono da banda desenhada, porque todas estas histórias foram também publicadas na edição francófona de Tintim.

Faz agora 70 anos que Willy  Vandersteen publicou os primeiros desenhos e gags , mas há apenas dois títulos traduzidos entre nós das aventuras de Bob e Bobette (pela Bonecos Rebeldes), dos mais de 200 publicados. Este multitalentoso gigante da banda desenhada flamenga continua sem expressão editorial em Portugal. Tristezas de um país pindérico e sem massa crítica.

Com a devida vénia ao Diário de Notícias.

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Tags: Cultura

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