Os portugueses ainda guardam muitos milhões de notas de escudos em casa. De acordo com os dados ontem divulgados pelo boletim estatístico do Banco de Portugal estão ainda por recolher 206,3 milhões de euros, um valor dividido por mais de 40,5 milhões de notas esquecidas em gavetas, baús, mealheiros ou outros locais.
Na denominação monetária anterior, tal significa que são mais de 41,3 milhões de contos, com os portugueses a guardarem, em maior número, notas de cem e de quinhentos escudos. Sem esquecer que estes valores dizem apenas respeito a notas em escudos, uma vez que as moedas já não podem ser trocadas por euros desde 2002.
Em relação às notas, boa parte deste “capital” pode ser recuperado. As denominações de 10 mil, cinco mil, dois mil, mil e quinhentos escudos podem ser trocadas por euros até 2018 e 2022, de acordo com as efígies.
Já no que respeita às notas de cem escudos, com as efígies de Barbosa du Bocage e Fernando Pessoa, podem ser trocadas até 2010 e 2012, respectivamente.
São precisamente as notas de cem escudos as que os portugueses mais guardam, muitas delas por coleccionisimo, uma vez que a maior parte já não pode ser trocada. No entanto, os maiores montantes guardados são os referentes às notas de cinco mil escudos: são 70 milhões de euros que se encontram deliberada- -mente guardados ou esquecidos por muitos portugueses.
De referir ainda que, na denominação mais elevada de 10 mil escudos, são 654 mil as notas ainda por recolher, correspondendo a 32,6 milhões de euros. No que respeita às notas de 50 e 20 escudos, estas só podem ser movimentadas por motivos de coleccionismo. São nove milhões de notas de 50 escudos e 27 milhões de notas de 20 escudos, as denominações mais baixas e que mais facilmente são guardadas como uma recordação.
Os dados estatísticos relativos à emissão monetária são pela primeira vez disponibilizados no boletim estatístico do Banco de Portugal. Até agora, alguma desta informação era divulgada no relatório anual desta autoridade de supervisão.
Diário de Notícias, 23 de Janeiro de 2008



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