Altermedia Portugal
Altermedia Portugal: Numa era em que a mentira é universal, dizer a verdade é um acto revolucionário. (George Orwell)
UltraViolent Street Wear, t shirts and clothing with a street tough attitude

0 + 0 = 0

July 17th, 2007 · Post your comment (No Comments)

Email This Post Print This Post

“Zero mais zero, aquilo faz sempre zero. A união de mitómanos, conspiradores, nostálgicos, e cidadãos arrivistas, nunca dará origem a uma força coerente. Manter a esperança de unir os incapazes, é perseverar no erro. Os poucos elementos de valor que existem são paralisados pelos fanfarrões que os cercam. O julgamento popular não se engana (…) como imaginar que apenas uma manada de incoerentes onde dominam os poliglotas, os arrivistas e os fanfarrões, minados por querelas entre clãs e pessoas, seja capaz de lutar contra a força superiormente organizada do regime?”

Dominique Venner em “Pour une critique positive”.

O mau resultado de Jean-Marie Pen nas recentes eleições presidenciais teve como consequência imediata que a “minoria agitada” do movimento nacional de repente se tornasse rica em projectos que têm conjuntamente mas sob denominações diversas – Congresso da Direita d’Epinay, Programa Comum de União Nacional, União da direita Regionalista e Identitária ou, para os iluminados, a Frente Charles Martel que querem criar, aqui e agora, uma nova estrutura política para preparar o pós Le Pen.

Pode-se em primeiro lugar ser-se só golpeado pelo ego desmedido dos iniciadores destes projectos dado que afirmam de cara séria que a sua influência é de tal natureza que amanhã farão concorrência à FN e ao JMLP… Pessoas que - fantasmas do seu gueto - têm motivações idênticas às dos assinantes do “Rivarol” ou do “Monde et Vie”!

Analisando o que escrevem, vemos que três estratégias são desenvolvidas e que todas elas são dedicadas ao malogro.

A estratégia mais política, e mais promissora de obter um sucesso relativo, encara uma aliança MPF-MNR à qual se iriam agregar descontentes do FN. Poderia estender-se ao CNI e conduzir, a longo prazo, à criação de um novo partido à direita do UMP o qual constituiria, deste lado do tabuleiro de xadrez político, a oposição respeitosa.
A ideia não é completamente inepta. Estes pequenos partidos da “direita da direita” compartilham ideias genericamente comuns e representariam, coligados, algo como 3 ou 4% do eleitorado. Não é grande feito, mas seria um peso suficiente para obter algumas premissas e alguns eleitos…

O dedo na ferida, é, em primeiro lugar, que existem demasiadas ambições humanas e demasiado chefes para posicionamento tão estreito, e, seguidamente, que nada pode fazer-se sem o acordo de Nicolas Sarkozy ou dos seus conselheiros… Se algo surgisse a este nível, poderia ser apenas por haver interesse da parte deles.

A segunda estratégia é defendida por aqueles que temos o hábito de nomear aqui como “nacional-sionistas”, ou seja os discípulos de Guillaume Faye e defensores, na extrema direita, da tese do choque das civilizações. A ideia é, em geral, transpor na França os exemplos do Vlaams Belang ou da Liga Padania e criar uma coordenação de movimentos regionalistas. O principal problema é que a França não é nem a Bélgica nem norte da Itália. O sentimento de identidade regionalista está muito pouco presente nos nossos concidadãos e, além disso, o “mercado do regionalismo” já acolhe muitos intervenientes mais antigos e mais experientes. Se excluirmos a Alsácia onde Robert Spieler e os seus amigos têm uma implantação real, é muito pouco provável que esta iniciativa ocorra noutro lugar com o mínimo sucesso. Isto tanto devido à ausência de espaço político para tal projecto como também devido ao material humano, extremamente medíocre, envolvido na operação.

A terceira estratégia é ainda mais irrealista. Consiste em preconizar “um sistema de aliança entre todas as tendências da nossa corrente de pensamento (soberanistas, patriotas, nacionalistas, identitários, regionalistas, católicos tradicionalistas, fundamentalistas protestantes, pagãos, monárquicos, republicanos, membros do FN, do PNR, do MNR, do Parti Populiste, do Bloco Identitaire, da Reflectir Réfléchir et agir, da Terre et Peuple, etc…)” (Jean Dorval, em artigo no “Vae Victis” de 20.05.07 no sítio da ASP).” Para saberem o que penso, será é suficiente para os meus leitores que releiam a citação de Venner que abre esta crónica e que é perfeitamente aplicável a este projecto…

Nenhuma destas estratégias se refere às que se agruparam em redor das nossas iniciativas. Nenhuma nos interessa, nenhuma nos fundamenta. Representam, bem pelo contrário, tudo o que nós rejeitamos no movimento nacional: o gueto, o passadismo, a ausência de sentido político, as ilusões, a confusão ideológica, etc.

Que fazer então, dir-me-ão?

A resposta é-nos dada pela “Tribune Libre” de Alain de Benoist que consta no seu sítio: “em Agosto de 2006, Jean-Marie Le Pen confiava ao “Choc du móis” que a única tarefa árdua que tem na vida f é a de “arrastar a extrema-direita como uma verdadeira amarra”. Quem sabe que o diga! O Frente nacional parece estar a tempo de compreender que a cultura dos seus eleitores não é necessariamente a mesma que a dos seus militantes (…) o futuro do FN dependerá da sua capacidade de compreender que o seu “eleitorado natural” não é o povo de direita, mas o povo da classe baixa. A alternativa não é o partido fechar-se no bunker dos “puros e duros” ou, pelo contrário, procurar “banalizar-se” ou “desdeabolizar-se” (…). A alternativa com a qual se debate actualmente de modo tão grave, continua a mesma: querer ainda encarnar a “direita da direita” ou radicalizar-se na defesa das camadas populares para representar o povo da França na sua diversidade. De momento nada indica que escolherá a segunda solução.

A nossa mancha está sem dúvida lá: dentro ou fora do FN contribuir para que permaneça, de acordo com as palavras de Alain de Benoist, “uma força de transformação social na qual possam reconhecer-se camadas populares de estatuto social e profissional precário e o capital cultural inexistente, para dizer algo aqueles que já não votam.”

Christian Bouchet

WWW.resistente.org

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading ... Loading ...
Share/Save/Bookmark



Tags: Geral