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Ataka, partido nacionalista búlgaro

August 3rd, 2007 · Post your comment (No Comments)

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Quando o grupo parlamentar europeu ITS (Identidade, Tradição, Soberania) se encontrava no processo de formação, as vozes do “politicamente correcto” não deixaram de aquecer os ânimos contra o partido búlgaro “Ataka” (”Ataque” ou “Assalto”). Este partido, representado por Dimitar Stoïanov no Parlamento Europeu, seria, nas palavras dos seus adversários, “anti-semita e xenófobo”. No ano passado, quando Stoïanov era apenas um observador no Parlamento Europeu, enviou uma carta de protesto a todos os deputados do hemiciclo de Estrasburgo, contra a eleição da deputada cigana húngara Livia Jaroka como “parlamentar do ano”. Nessa carta, foi criticado pela seguinte frase: “Na Bulgária, há mulheres ciganas muito mais bonitas que aquela, e muito mais magras. As mais bonitas custam 5000 euros”. Na pequena polémica que se seguiu a este incidente, o deputado austríaco Andreas Mölzer (FPÖ) mencionou a inexperiência política do jovem deputado búlgaro, de apenas 24 anos, assim como o facto bem patente de que as circunstâncias políticas dominantes no Sudeste da Europa não propiciam (ainda) a utilização das mesmas fórmulas “complexas” que são o padrão no Oeste.

O movimento “Ataka” foi fundado a 17 de Abril de 2005 por um jornalista búlgaro, Volen Siderov. Cerca de dois meses depois da sua fundação, nas eleições de 25 de Junho, registou um primeiro êxito importante: 8,2% dos votos, o que permitiu alcançar 21 deputados no parlamento búlgaro. Desde então, as sondagens dão ao Ataka uma progressão constante. (…) Siderov, presidente do Ataka, é a verdadeira locomotiva do partido. No Outono de 2006, chegou à segunda volta das eleições presidenciais, onde acabaria por perder para o socialista Georgi Parvanov.

As causas do êxito do Ataka, desde o momento da sua fundação, residem nos objectivos políticos claros do partido, objectivos muito diferentes de todos os outros partidos búlgaros. Nos “Vinte Princípios” propostos pelo Ataka, encontra-se uma definição da nação búlgara, como “um país unido a nível nacional” (onde “nacional” significa “étnico”), que, prossegue o texto, “não pode dividir-se segundo critérios étnicos ou religiosos”. Isto quando 9,4% dos oito milhões de búlgaros são turcos e 4,7% são ciganos. Entre a maioria búlgara e as principais minorias, a tensão é frequente. As relações entre búlgaros e turcos são especialmente tensas, devido à experiência negativa que constituiram os séculos de invasão otomana. Siderov justifica a sua oposição à adesão turca à UE, lançando o argumento de que Ankara “disporá de meios para lançar uma política de agressiva turquização e islamização de várias regiões da Bulgária”.

Outros pontos dos “Vinte Princípios” referem-se à “venda da Bulgária a retalho”. Ataka defende a anulação das privatizações e da política fiscal do país, a qual deve “servir as necessidades do povo búlgaro e não os projectos do FMI”. Por outro lado, Ataka propõe renegociar a adesão da Bulgária à União Europeia, já que esta não tem suficientemente em conta os verdadeiros interesses dos búlgaros. Ataka reclama ainda a neutralidade do país (ou seja, a sua saída da NATO). Depois de Sofia e Washington terem celebrado um acordo em Março de 2006, para que se instalassem três bases militares comuns no país, Siderov passou à acção e recolheu em apenas um mês 200.000 assinaturas contra o projecto. Mesmo asism, esta petição popular não chegou a ter utilidade, já que em 2007 chegaram os primeiros 3000 soldados americanos previstos, convertendo-se Sofia na capital de um novo Estado vassalo de Washington.

Bernhard Tomaschitz
(« Zur Zeit », Viena, n°9/2007)

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