Patrícia Viegas
Vladimir Putin apoiou ontem o direito do Irão a um programa nuclear, mas recusou adiantar qualquer data para a entrada em funcionamento da central de Buchehr, que os russos estão a ajudar Teerão a construir.
“As actividades nucleares pacíficas devem ser autorizadas”, defendeu o Chefe do Estado russo na cimeira dos países do mar Cáspio, citado pelas agências internacionais. Esta cimeira juntou na capital iraniana os líderes do Azerbaijão, Irão, Cazaquistão, Rússia e Turcomenistão.
A seguir a esta cimeira, Putin encontrou-se com o seu homólogo iraniano, Mahmud Ahmadinejad, bem como com guia supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, a mais alta autoridade da república islâmica. Esta foi a primeira visita, desde 1943, de um responsável russo ao Irão.
Putin declarou, segundo a televisão estatal iraniana, que “é do interesse da Rússia um Irão forte”. Mas também remeteu para data indefinida a entrada em funcionamento da central de Buchehr – cujo contrato a Rússia obteve em 1994.
Analistas e especialistas ocidentais, citados pela AFP, consideram que Moscovo utiliza o projecto como meio de pressão para forçar o Irão a uma maior transparência sobre o seu programa nuclear – que os EUA dizem ter fins militares.
Os mesmos consideram difícil que o chefe do Estado russo termine a central, depois de ter votado, no Conselho de Segurança da ONU, duas séries de sanções contra o Irão por causa da sua recusa em parar o enriquecimento de urânio.
Questionado sobre o andamento da central de Buchehr, Putin disse aos jornalistas iranianos que os atrasos devem-se “a problemas relacionados com a tecnologia utilizada”, mas não a razões políticas”. Os atrasos nos trabalhos da central são regularmente atribuídos a dívidas por parte dos iranianos. Algo que Teerão tem sempre desmentido.
Na véspera da sua visita ao Irão, Putin tinha defendido, na Alemanha, a via do diálogo para resolver o problema do nuclear iraniano – que Teerão diz ter apenas fins civis. A Rússia já disse que é contra a aprovação de um novo pacote de sanções na ONU e não hesitará em fazer uso do veto no Conselho de Segurança.
Adivinhando já essa posição, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner, propôs aos seus parceiros da UE avançar com sanções mesmo fora da ONU. Até agora não houve uma posição comum europeia sobre o assunto.
Fonte: Diário de Notícias


