Altermedia Portugal
Altermedia Portugal: Numa era em que a mentira é universal, dizer a verdade é um acto revolucionário. (George Orwell)
UltraViolent Street Wear, t shirts and clothing with a street tough attitude

Quando a propaganda passa por cinema

11:10 am · Post your comment (No Comments)

Flávio Gonçalves

Ontem não resisti e, num impulso nostálgico, optei por ir ao cinema com a minha namorada assistir ao recente John Rambo, afinal quando eu era um adolescente tinha cartazes do Rambo e do Indiana Jones no quarto e pareceu-me natural rever um dos meus heróis cinematográficos da juventude, erro crasso! Acabamos por pagar para vermos propaganda estadunidense, propaganda descarada do Império contra Myanmar, e logo a partir dos 3 primeiros segundos do filme até à sua conclusão.

O conteúdo gráfico do filme é tão intenso que me arrependi imediatamente de ter levado a minha namorada, só para terem uma ideia: 5 adolescentes que se encontravam na sala abandonaram a mesma após a primeira carnificina do filme, extremamente lenta e gráfica, com execuções de crianças e violações de mulheres, mutilações, tudo com nacos de carne oriundos de corpos humanos e sangue por todo o ecrã (a personagem de Sylvester Stallone mal fala neste filme, o filme resume-se a violência gráfica).


Quem são os maus? Precisamente os militares de Myanmar, o regime de Myanmar é ritual e brutalmente espancado desde os primeiros 3 segundos de película, os pró-ocidentais Karen são apresentados como freedom fighters, o regime de Myanmar - principal responsável pelo decréscimo de meninos-soldado e tráfico de droga na região - é apresentado como uma sendo um regime narcotraficante gerido por generais toxicodependentes que passam os dias a assassinar por mera diversão e a chacinar aldeias inteiras, raptando crianças para o exército, os militares de Myanmar - os mais bem preparados da Ásia depois dos chineses - são apresentados como um bando de alcoólicos que se diverte a com violações em grupo diárias e outras actividades vergonhosas, como encher um campo de arroz com minas e obrigar civis a correrem no mesmo de um lado para o outro apostando em qual dos civis irá sobreviver…

A minha namorada encolheu-se apreensiva, pelo rápido trailer que tínhamos visto anteriormente não tínhamos notado no teor político do filme, certamente recordou que sou leitor frequente do diário New Light of Myanmar (está sempre a queixar-se da quantidade de “papel” que eu mantenho por casa - jornais, revistas e boletins por todo o lado, oriundos de todos os cantos do mundo… incluindo Myanmar).

O único oficial de Myanmar que aparece no comando do exército neste filme patético, mera obra de propaganda imperialista, além se sanguinário gosta de violar rapazinhos… enfim, Hollywood a recordar o seu papel de principal ponta de lança das guerras dos EUA contra o Estado mais patriótico e socialista da Ásia, uma vergonha!

Tags: Cultura · Internacional