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	<title>Altermedia Portugal - na rede desde 17 de Junho de 2003 &#187; Cultura</title>
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	<description>Numa era em que a mentira é universal, dizer a verdade é um acto revolucionário. (George Orwell)</description>
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		<title>“Sou um proactivo bastante caótico”</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 18:36:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dina Gusmão &#8211; Jaime Nogueira Pinto é senhor de múltiplos ofícios. Empresário e administrador, professor e escritor, é autor de vasta bibliografia sobre História Contemporânea, sobretudo relativa ao Estado Novo e, agora, da biografia de ‘Nuno Álvares Pereira’, que acaba de conseguir três edições em três meses. E a culpa é do pai.
&#8220;Quando tinha oito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignright size-thumbnail wp-image-1100" title="Jaime Nogueira Pinto" src="http://pt.altermedia.info/images/JaimeNogueiraPintoCM-150x150.jpg" alt="Jaime Nogueira Pinto" width="150" height="150" />Dina Gusmão</strong> &#8211; Jaime Nogueira Pinto é senhor de múltiplos ofícios. Empresário e administrador, professor e escritor, é autor de vasta bibliografia sobre História Contemporânea, sobretudo relativa ao Estado Novo e, agora, da biografia de ‘Nuno Álvares Pereira’, que acaba de conseguir três edições em três meses. E a culpa é do pai.</p>
<p>&#8220;Quando tinha oito ou nove anos, o meu pai deu-me ‘A Vida de Nun’Álvares’, de Oliveira Martins. Foi uma revelação. O livro fascinou-me pelo que dele entendi – as batalhas e a cavalaria – e pelo que dele não entendi – a política e o lado místico e mágico da História. Penso que a sociedade portuguesa de hoje precisa de figuras exemplares e, a propósito da canonização, achei que era uma boa ocasião de falar do português exemplar graças a quem, mais do que a ninguém, somos independentes&#8221;, lembra.<span id="more-1099"></span></p>
<p>Depois de ter feito de Salazar o mais votado dos ‘Grandes Portugueses’, escreveu sobre ele uma biografia diferente, o que sempre faz quando se propõe recontar a História: &#8220;Preocupa&#8211;me mostrar o Portugal do século XX fora do antifascista politicamente correcto&#8230; Fiz ‘Salazar – O Outro Retrato’ e fiz o mesmo com o Estado Novo e a Direita – em Portugal uma desconhecida, só contada e explicada pela Esquerda. Até porque quem quer os votos da Direita habituou&#8211;se a recebê-los baratos.&#8221;</p>
<p>Adiada fica a tentação da ficção: &#8220;Um romance, embora não pareça, pela actual profusão de romances e romancistas, é coisa séria. Talvez um dia tente. Se não fica como os amores belos e impossíveis dos românticos.&#8221;</p>
<p>Até ao final do ano sai a tese de doutoramento, ‘Ideologia e Razão de Estado na Formação da Política Externa’, uma empreitada que durou 20 anos&#8230; &#8220;Não sou de todo organizado. Sou um proactivo bastante caótico&#8221;, conclui.</p>
<p><strong>PESSOAL</strong></p>
<p><em>ESTADO NOVO</em></p>
<p>&#8220;Reacção nacional autoritária à disfuncionalidade da democracia partidária da I República. Que foi o governo dos democráticos.&#8221;</p>
<p><em>25 DE ABRIL</em></p>
<p>&#8220;Resultado da disfuncionalidade e deslegitimação do Estado Novo, do cansaço de parte do exército com a guerra e do descontentamento corporativo dos capitães. Tudo aproveitado pela oposição.&#8221;</p>
<p><em>DIREITA</em></p>
<p>&#8220;Pensamento político, complexo, diversificado, plural. Há direitas liberais e totalitárias, conservadoras e revolucionárias. Duas coisas as unem: o homem não é naturalmente bom e civilização e ordem são coisas boas mas frágeis.&#8221;</p>
<p>Com a devida vénia ao <a href="http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=63DEF2A6-98AC-46A2-84CD-850E37B2A289&amp;channelid=00000013-0000-0000-0000-000000000013" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em></a>.</p>
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		<title>Ler e reler</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 21:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Azoria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jaime Nogueira Pinto &#8211; Sou de uma geração que se habituou a ler ficção &#8211; muita e cedo: Balzac, Hugo, Dumas, Flaubert, Maupassant, Drieu, Malraux, Mauriac, Dickens, Tackeray, Huxley, Maugham, Waugh, Melville, James, Hemingway, Steinbeck, Scott Fitzgerald, Nabokov, Dostoievsky, Bulgakov, Pasternak?
A estes escritores do mundo juntava-se, por obrigação ou gosto, toda a literatura portuguesa, de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignright size-thumbnail wp-image-910" title="Jaime Nogueira Pinto" src="http://pt.altermedia.info/images/jaimenogueirapinto-150x150.jpg" alt="Jaime Nogueira Pinto" width="150" height="150" />Jaime Nogueira Pinto</strong> &#8211; Sou de uma geração que se habituou a ler ficção &#8211; muita e cedo: Balzac, Hugo, Dumas, Flaubert, Maupassant, Drieu, Malraux, Mauriac, Dickens, Tackeray, Huxley, Maugham, Waugh, Melville, James, Hemingway, Steinbeck, Scott Fitzgerald, Nabokov, Dostoievsky, Bulgakov, Pasternak?</p>
<p>A estes escritores do mundo juntava-se, por obrigação ou gosto, toda a literatura portuguesa, de Gil Vicente e Camões a Camilo, Eça e Aquilino. E os clássicos &#8211; a Bíblia, Homero, os trágicos gregos, Boccacio, Shakespeare, Cervantes, Milton.</p>
<p>Assim, entre os treze anos e o fim da faculdade, dez anos depois, tínhamos devorado estes autores e livros, mais uma infinidade de géneros, títulos e autores menos &#8220;respeitáveis&#8221;: dos Salgari, capa e espada e Biblioteca dos Rapazes da infância, à ficção científica, ao terror, aos thrillers e à espionagem, da juventude. Líamos como possessos, desvairadamente, à toa, com prazer e com paixão. Como víamos cinema.<span id="more-1092"></span></p>
<p>O único inconveniente destas leituras adolescentes é que lemos, cedo, muito novos, obras essenciais. E porque as lemos não voltamos a lê-las, quando elas mais importantes podem ser para nós.</p>
<p>Por isso chega o tempo de reler.</p>
<p>Borges, interrogado sobre o que estava a ler, dizia que há muito deixara de ler, que só relia.</p>
<p>É um conselho a seguir com cuidado havendo tanta coisa a ler &#8211; ou pelo menos a ser editada &#8211; e pouco tempo (cada vez menos) do nosso lado.</p>
<p>Relê-se em função de sugestões e evocações: depois de ver a &#8220;Reine Margot&#8221; (filme, com a Isabel Adjani) fui reler o romance de Dumas e na semana passada li os &#8220;Quarente-cinq&#8221;. Quando vi há pouco, em DVD, a versão da BBC de &#8220;Guerra e Paz&#8221; (1973), com Anthony Hopkins a fazer de Pierre, apeteceu-me reler o livro todo (devo tê-lo lido aos 17 anos, no fim do liceu, e reli partes, no exílio, em Madrid aos 30). Este Verão a leitura de &#8220;How Fiction Works&#8221;, de James Wood, levou-me de volta a Flaubert e a &#8220;Madame Bovary&#8221;. Que lembra em tanta coisa o &#8220;Primo Basílio&#8221;, com Monsieur Homais e o conselheiro Acácio e o perfil, modos e fim das heroínas; e dos amantes e dos maridos. Como o Benjamin Button &#8211; o filme de David Fincher &#8211; me levou de volta ao admirável conto de Scott Fitzgerald. Este nunca me fartei de o ler: quatro vezes o &#8220;Great Gatsby&#8221;, duas &#8220;This Side of Paradise&#8221; e &#8220;Tender is the Night&#8221;.</p>
<p>Quanto a Flaubert, levei a &#8220;Educação Sentimental&#8221; nas marchas finais da recruta da EPI, de Mafra, no Verão de 1973, entre Vale de Lobo e a foz do rio Lisandro. Era um livro de &#8220;poche&#8221; e cabia no bolso lateral do camuflado. Há trinta e seis anos. Como o tempo passa&#8230;</p>
<p>Com a devida vénia ao<a href="http://www.ionline.pt/conteudo/18756-ler-e-reler" target="_blank"><em> i online</em></a>.</p>
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		<title>Meias-noites quentes no Salon Rouge</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2009 10:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Azoria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eurico de Barros &#8211; A exibição pública de filmes pornográficos em Lisboa não começou depois do 25 de Abril de 1974 . Muito antes de os capitães dos cravos nos canos das G3 terem, entre outras coisas, aberto as portas às fitas hardcore primeiro escalão (conforme a classificação arranjada à época), já os lisboetas tinham [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignright size-thumbnail wp-image-1065" src="http://pt.altermedia.info/images/IndustriaPorno-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />Eurico de Barros</strong> &#8211; A exibição pública de filmes pornográficos em Lisboa não começou depois do 25 de Abril de 1974 . Muito antes de os capitães dos cravos nos canos das G3 terem, entre outras coisas, aberto as portas às fitas hardcore primeiro escalão (conforme a classificação arranjada à época), já os lisboetas tinham tido a possibilidade de ver cinema ollé ollé, no início do século XX, e ainda em plena monarquia (é menos uma conquista da República que se vai assinalar para o ano&#8230;).</p>
<p>O aparecimento do então chamado cinematógrafo deu rapidamente origem à abertura de salas para a exibição de filmes. Lisboa não foi excepção, e terá sido em 1907 ou 1908 que abriu a portas na Rua D. Pedro V, n.º 108, o Salon Rouge (o nome é só por si todo um programa), que embora sendo um espaço algo improvisado, foi o primeiro na capital a passar cinema pornográfico, em sessões que começavam à meia-noite (outra novidade em que a sala terá sido pioneira), as chamadas &#8220;Sessões para Ingénuos: Fitas d&#8217;alta potência&#8221;. (De dia, o cinema tinha sessões normais). Desconhece&#8211;se se o bilhete para essas exibições &#8220;especializadas&#8221; era mais caro do que o das sessões diurnas regulares.<span id="more-1064"></span></p>
<p>Os filmes então exibidos aos &#8220;ingénuos&#8221; (ou nem tanto&#8230;) que frequentavam o Salon Rouge nessas noites de imagens inéditas e sensações pecaminosas proporcionadas pelo cinematógrafo eram obviamente mudos e muito curtos, e deviam ser de proveniência francesa. Ou eram trazidos da mesma Paris de onde na altura continuavam a chegar a Portugal os livros, as revistas, as ideias, as modas e os luxos, ou então eram encomendados juntamente com os títulos destinados ao grande público.</p>
<p>Recorde-se que a França e os EUA foram pioneiros também da pornografia cinematográfica, e que saiu há um par de anos no mercado francês um DVD com uma compilação muito variada desses filmezinhos cochon velhos de quase um século, verdadeiras relíquias dos primórdios da pouca-vergonha na Sétima Arte. Quem sabe se alguns deles não terão sido vistos pelos alfacinhas de então, nas escaldantes meias-noites do Salon Rouge?</p>
<p>Segundo conta Marina Tavares Dias no volume 7 de Lisboa Desaparecida, o programa do dia 28 de Novembro de 1908 no Salon Rouge constava de dois filmes: Duas Amigas &#8211; Hoje Há Fressura, e Pintor Modelo &#8211; Principia a Erecção. Muito antes do 25 de Abril já havia quem soubesse dar títulos coloridos aos filmes da especialidade, dignos antecessores de O Hotel das Suecas Devassas, O Rali das Gozonas ou A Minha Mulher não Tem Cama Certa, que nos anos 70 e 80 fizeram as delícias dos frequentadores do Capitólio, do Cinebolso ou do Olímpia.</p>
<p>Ainda segundo Marina Tavares Dias, o sucesso do Salon Rouge foi tal, que &#8220;chegou a ter &#8216;filiais&#8217;, como o Chalet Rotunda, na Feira de Agosto&#8221;. Histórias esquecidas de uma outra cidade, sobretudo agora, quando primeiro o vídeo e depois o DVD mataram a porno star nos cinemas, e os cinemas porno de Lisboa com ela.</p>
<p>Com a devida vénia ao <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1322786&amp;seccao=Eurico%20de%20Barros" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em></a>.</p>
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		<title>Leszek Kolakowski (1927-2009)</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jul 2009 18:25:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jaime Nogueira Pinto &#8211; Nasceu na Polónia em 1927 e viveu a guerra e a ocupação alemã. Entre 1947 e 1966 foi membro do partido comunista local. Com inquietações metafísicas e revisionistas, passou à dissidência. Foi expulso do partido, proibido de ensinar na Universidade de Varsóvia e emigrou para o Ocidente. E foi aterrar em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignright" title="Leszek Kolakowski" src="http://i28.tinypic.com/2r70m7t.jpg" alt="" width="200" height="311" />Jaime Nogueira Pinto</strong> &#8211; Nasceu na Polónia em 1927 e viveu a guerra e a ocupação alemã. Entre 1947 e 1966 foi membro do partido comunista local. Com inquietações metafísicas e revisionistas, passou à dissidência. Foi expulso do partido, proibido de ensinar na Universidade de Varsóvia e emigrou para o Ocidente. E foi aterrar em Berkeley, em 1969. Para o emigrado do &#8220;socialismo real&#8221;, não era o lugar mais indicado este centro da New Left americana, com a sua admiração pacóvia pelos radicalismos pós-marxistas. Emigrou outra vez e foi fixar&#8211;se em Inglaterra, em Oxford, no All Souls College, um meio mais compatível com um espírito livre, recém-desengaiolado da sua terra.</p>
<p>Ficou por lá mais trinta anos, com períodos de ensino nos Estados Unidos &#8211; em Yale e Chicago. E de lá seguiu e apoiou o Solidariedade, onde se juntavam as suas fés sindicalista e cristã.</p>
<p>Conheci-o em Londres num congresso organizado por Melvin Laski na LSE e que reunia umas dezenas de intelectuais &#8220;anticomunistas&#8221; da Europa e dos Estados Unidos. Levei-lhe &#8220;The Main Currents of Marxism&#8221;, para me autografar, o que fez com uma afabilidade tímida, quase surpreendido por um lusófono conhecer a sua obra?<span id="more-1052"></span></p>
<p>O resistente e filósofo chamava-se Leszek Kolakowsky e morreu em 17 de Julho passado. Considero &#8220;The Main Currents of Marxism&#8221; a melhor síntese crítica do pensamento marxista e das suas descendências, dissidências, variantes, heresias, socialismos utópicos e reais, fundadores, líderes, profetas e tiranos. Para além desta obra central, deixou uma extensa bibliografia de temática religiosa e filosófica (há um livro dele que não li &#8211; vou ler -, que tem um título fabuloso: &#8220;Deus não Nos Deve Nada &#8211; Uma Reflexão sobre a Religião de Pascal e o Espírito do Jansenismo&#8221;).</p>
<p>A acabar esta passagem da sua conferência &#8220;What Are the Parties For&#8221;, de 5 de Novembro de 2003:</p>
<p>&#8220;Todas as previsões feitas por Marx ou depois dele, pelos marxistas, se revelaram falsas; o de-senvolvimento social foi numa direcção inteiramente diferente.</p>
<p>As classes médias, em vez de se afundarem ou desaparecerem como proclamava a profecia marxista, cresceram mais e mais; o mercado, em vez de um obstáculo ao progresso tecnológico, revelou-se o seu mais poderoso estímulo; a pauperização relativa ou absoluta da classe trabalhadora também não aconteceu; a taxa decrescente de lucro, que causaria o colapso do capitalismo, foi outra esperança vã; a revolução proletária, a revolução resultante do conflito entre os trabalhadores da indústria e os capitalistas, nunca aconteceu.&#8221;</p>
<p>Com a devida vénia ao <a href="http://www.ionline.pt/conteudo/15366-leszek-kolakowski-1927-2009" target="_blank"><em>I Online</em></a>.</p>
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		<title>A ética da estética</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2009 20:37:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[João César das Neves -  Qual o valor ético da arte? A pergunta hoje surge aberrante. A arte é a arte, e está acima das questões humanas. Os autores sentem-se com a função eminente de criar coisas novas e por isso superiores aos demais. Num tempo que recusa o sublime e o transcendente, os valores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignright size-thumbnail wp-image-853" title="João César das Neves" src="http://pt.altermedia.info/images/joaocesardasneves-137x150.jpg" alt="João César das Neves" width="137" height="150" />João César das Neves</strong> -  Qual o valor ético da arte? A pergunta hoje surge aberrante. A arte é a arte, e está acima das questões humanas. Os autores sentem-se com a função eminente de criar coisas novas e por isso superiores aos demais. Num tempo que recusa o sublime e o transcendente, os valores estéticos ocupam o lugar do divino. Não parece fazer sentido sujeitar a arte a coisas como a ética.</p>
<p>O papel dos trabalhos artísticos mudou muito através dos séculos. Na origem é provável que música e pintura das cavernas tivessem propósitos mágicos ou encantatórios. Com a chegada da civilização, mudou a função mas não o tema. A maioria dos artistas da Antiguidade trabalhava representando o divino, nos templos dos deuses e nos palácios do faraó ou imperador, deuses visíveis. A situação manteve- -se na Cristandade com a arte sacra dominante. Deste modo, se os artistas perderam os poderes espirituais da pré-história, recebiam dignidade ética directamente do Céu.<span id="more-1050"></span></p>
<p>Com a prosperidade da &#8220;revolução comercial&#8221;, ganhou força uma nova forma de expressão ligada ao conforto dos ricos. Artes decorativas, retratos de família e música de câmara era algo que a Antiguidade vira apenas em surtos fugazes, nos períodos de florescência, mas que se popularizou na Europa da Baixa Idade Média.</p>
<p>Este confronto entre as duas formas de arte, sacra e profana, foi-se travando ao longo dos séculos. Se em Giotto (1267-1337) e Dante (1265-1321) dominava a expressão do sublime, Petrarca (1304-1374) e Van Eyck (1395-1441) também tratavam temas familiares e comuns. No Renascimento, mitologia e Bíblia eram ainda a inspiração de Miguel Ângelo (1475-1564) e Rafael (1483-1520), mas a pintura mais famosa acabou por ser um simples retrato de uma burguesa, a jovem Lisa del Giocondo (1479-1542) pintada aos 20 anos por Leonardo (1452-1519) em 1503.</p>
<p>A Idade Moderna, com as guerras de religião seguidas por revoluções, foi a pouco e pouco transformando a arte, de uma forma de oração ou adereço de conforto, em arma de intervenção. Murillo (1617-1682) e Bach (1685-1750) são devotos e Rembrandt (1606-1669) e Mozart (1756-1791) pretendem agradar aos patronos; mas David (1748-1825) e Beethoven (1770-1827) querem transformar a sociedade. Nessa altura, como disse Marx em 1845, não se tratava de interpretar o mundo, mas de o mudar (Theses on Feuerbach, 11).</p>
<p>Curiosamente, nesse tempo em que a humanidade se assumia como divina, o Romantismo de homens como Byron (1788-1824), Manet (1832-1883) ou Chopin (1810-1849) combinava o dramatismo insurrecto com a mais prosaica emotividade burguesa. Foi o período em que a arte se pretendeu mais próxima da moral positiva, na construção da justiça social ou da relação amorosa. Mas esta aproximação entre ética e estética acabou na ruptura.</p>
<p>A geração seguinte recusou a instrumentalização política ou doméstica da sua actividade e procurou afirmar algo totalmente novo na história do mundo: a arte pela arte. A estética era a ética. Depois de ferramenta de feitiçaria, expressão do divino, forma de bem-estar ou arma de revolução, a obra hoje julga-se a sua própria medida e finalidade. As pessoas são meros objectos da arte, não sujeitos ou observadores.</p>
<p>Símbolo disso são os retratos de Edward James (1907-1984), poeta britânico e mecenas do surrealismo. Grato pelo apoio recebido, o pintor belga René Magritte (1898-1967) fez nada menos do que duas representações do seu patrono. Mas no primeiro, La reproduction interdite de 1937, o jovem aparece de costas diante de um espelho. Só que o espelho, segundo as regras excêntricas da escola, mostra-nos a imagem também de costas. Talvez arrependido da brincadeira genial, o artista voltou ao tema no mesmo ano, com Le principe du plaisir. Aí o amigo está de frente para nós. Mas a sua cabeça é substituída por uma explosão de luz.</p>
<p>Magritte é um grande génio, dos maiores de sempre. Os seus quadros interpelam-nos de uma forma inesperada e desconcertante. Mas, apesar dos dois retratos, a imagem da sua Gioconda do surrealismo não conseguiu ficar para a posteridade.</p>
<p>Com a devida vénia ao <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1318412&amp;seccao=Jo%E3o%20C%E9sar%20das%20Neves&amp;tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em></a>.</p>
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		<title>O gigante da BD que Portugal desconhece</title>
		<link>http://pt.altermedia.info/cultura/o-gigante-da-bd-que-portugal-desconhece_1048.html</link>
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		<pubDate>Sun, 26 Jul 2009 19:30:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Eurico de Barros &#8211; Hergé chamou a Willy Vandersteen &#8220;o Bruegel da banda desenhada&#8221;. Mas não tem quase nada editado entre nós.
Pergunta de algibeira: quem é o autor de banda desenhada mais popular do que Hergé e que vende mais álbuns do que Tintim no espaço do Benelux (Bélgica/Países Baixos/Luxemburgo)? A resposta é óbvia: Willy [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignright" title="Willy Wandersteen" src="http://i29.tinypic.com/2m36amt.jpg" alt="" width="332" height="222" />Eurico de Barros</strong> &#8211; Hergé chamou a Willy Vandersteen &#8220;o Bruegel da banda desenhada&#8221;. Mas não tem quase nada editado entre nós.</p>
<p>Pergunta de algibeira: quem é o autor de banda desenhada mais popular do que Hergé e que vende mais álbuns do que Tintim no espaço do Benelux (Bélgica/Países Baixos/Luxemburgo)? A resposta é óbvia: Willy Vandersteen (1913-1990), um dos autores mais fenomenalmente prolíficos da Europa, e criador da dupla Suske  en Wiske (Bob e Bobette, em francês), cujas aventuras já ultrapassaram os 100 milhões de álbuns vendidos, mas cuja fama está muito confinada ao espaço de língua neerlandesa.<span id="more-1048"></span></p>
<p>Vandersteen, que tem nesta altura uma enorme exposição retrospectiva na Maison de la Bande Dessinée, em Bruxelas, era um verdadeiro fenómeno da banda desenhada, profundamente ligado à história, à tradição artística e à identidade flamenga, bem como à realidade quotidiana e humana da sua Flandres natal, influenciado pelos comics  americanos clássicos (que descobriu ainda novo, quando começou a trabalhar como marceneiro no atelier de um tio) e dotado de uma capacidade criativa e de trabalho a roçar o sobre-humano.</p>
<p>Mesmo quando, a exemplo de Hergé, já dispunha de um estúdio cheio de colaboradores, a partir dos anos 50, do qual saía um álbum por semana de uma das suas personagens mais populares, com uma tiragem superior a 200 mil exemplares, Vandersteen continuava a desenhar várias séries ao mesmo tempo, e a criar novas personagens. Ora realistas ora fiéis à &#8220;linha clara&#8221; , cobrindo todos os géneros, do humor ao western, da ficção científica aos temas históricos e de ambiente contemporâneo.</p>
<p>Uma dessas muitas séries, Bessy, protagonizada por uma cadela moldada sobre a célebre Lassie, saiu em Portugal nos álbuns especiais publicados pela revista Cavaleiro Andante. Outras foram Le Cirque Zim Boum (Het Plezante Circus), De Familie Snock (La Famille Guignon), De Rodde Rider (Le Chevalier Rouge), Jerôme, Karl May, Biggles ou Safari.</p>
<p>Quando Hergé &#8211; que chamou a Vandersteen &#8220;o Bruegel da banda desenhada&#8221; &#8211; recorreu a ele para consolidar Kuifje, a edição da versão neerlandesa da revista Tintim, Willy Vandersteen desenhou oito aventuras de Bob e Bobette que são consideradas as melhores das personagens, bem como duas do herói flamengo Thyl Eulenspiegel, vários gags de Monsieur Lambique, um dos comparsas de Bob e Bobette, e a série Prince Riri. Dada a imensa popularidade de que Vandersteen gozava, as vendas de Kuifje dispararam, e o criador de Bob e Bobette entrou pela porta da frente no mercado francófono da banda desenhada, porque todas estas histórias foram também publicadas na edição francófona de Tintim.</p>
<p>Faz agora 70 anos que Willy  Vandersteen publicou os primeiros desenhos e gags , mas há apenas dois títulos traduzidos entre nós das aventuras de Bob e Bobette (pela Bonecos Rebeldes), dos mais de 200 publicados. Este multitalentoso gigante da banda desenhada flamenga continua sem expressão editorial em Portugal. Tristezas de um país pindérico e sem massa crítica.</p>
<p>Com a devida vénia ao <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1317377&amp;seccao=Eurico%20de%20Barros" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em></a>.</p>
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		<title>Ler para crescer</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jul 2009 00:28:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Maria José Nogueira Pinto &#8211; O Plano Nacional de Leitura decidiu encorajar os avós a lerem histórias aos netos. O certo é que avós, netos e histórias são hoje muito diferentes: a maioria dos avós ainda está numa fase activa da vida, as crianças têm o tempo preenchido por actividades várias, as solicitações são muitas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignright size-thumbnail wp-image-867" title="Maria José Nogueira Pinto" src="http://pt.altermedia.info/images/mariajosenogueirapinto-150x150.jpg" alt="Maria José Nogueira Pinto" width="150" height="150" />Maria José Nogueira Pinto</strong> &#8211; O Plano Nacional de Leitura decidiu encorajar os avós a lerem histórias aos netos. O certo é que avós, netos e histórias são hoje muito diferentes: a maioria dos avós ainda está numa fase activa da vida, as crianças têm o tempo preenchido por actividades várias, as solicitações são muitas e o tempo familiar mais escasso. Os livros infantis sofrem a inevitável concorrência dos desenhos animados, que passam em sessão contínua em diversos canais televisivos: alguns são medonhos e sobressaltados por sons guturais sem propósito ou sentido aparente, revelando um mundo de vencedores e vencidos, de força e astúcia despidas de qualquer virtude ou razão; outros mais não são do que formas indefinidas, num movimento lento com efeitos hipnóticos, e destinam-se certamente a adormecer bebés.<span id="more-1042"></span></p>
<p>O meu estatuto de avó reiniciou-me na literatura infantil, devolvendo-me os Três Porquinhos, a Carochinha e o João Ratão mais uma razoável porção de fadas boas e más, de princesas e príncipes, de florestas e duendes e um sem-fim de historietas de duvidoso gosto, mais ao jeito dos tempos actuais. Uma infância com livros é muito importante porque cada um de nós é também o que leu e, antes de ler, no princípio de tudo, o que ouviu lido por outros: a essencialidade da natureza humana, o bem e o mal, a inevitabilidade das vicissitudes da vida, da sua finitude e da morte, o medo e a força para a aventura de crescer.</p>
<p>No princípio era o verbo e a palavra foi sempre a chave que abriu todas as coisas. No princípio estavam os contos dos irmãos Grimm, os contos de Perrault, as fábulas de La Fontaine e a escuridão apavorante das ilustrações de Gustave Doré. A minha mãe abominava estas histórias. Lia-nos poesia a eito, e nós repetíamos Régio, Pessoa, Almada, Sophia, ora com voz líquida de lágrimas ora com voz forte de trovão. Por causa de quem, vejo-o hoje, os contos infantis chegaram ao mesmo tempo que os versos ao meu coração e à minha cabeça, assim entrelaçados. &#8220;Mãe! Diz essa metade que tu sabes do que é necessário saber, diz essa metade que tu sabes tão bem, para eu pensar a outra metade&#8221;, escrevia Almada e pedíamos nós.</p>
<p>O que se lê às crianças pode ser um contributo precioso para ajudar a &#8220;organizar interiormente uma história contável&#8221;: apagar o medo, trazê-los do outro lado do espelho, transportá-los para o real, que deste modo é lúdico e estético e próximo. E é também ético e bom. São assim os livros como o Petit Prince, Alice no País das Maravilhas ou A Menina do Mar: durante toda a vida vamos encontrar o coelho e o seu relógio, perceber a importância enganadora de um jogo de espelhos, o gosto pelo insólito, a importância do que é diferente, o valor do cheiro da rosa ou do sabor do vinho.</p>
<p>No Último Suspiro do Mouro, de Rushdie, há uma passagem que descreve os trabalhos pictóricos feitos pelo artista no quarto das crianças. Quando li, percebi que o facto de Rushdie ter sido condenado a uma profunda solidão o levou a ler tudo, incluindo banda desenhada, género em que se tornou especialista. As pinturas murais soltaram-se do âmbito restrito da encomenda feita, e o imaginário infantil, na sua versão mais tranquilizante e tecnicolor, ficou para todo o sempre guardando o sono e os sonhos.</p>
<p>Os tempos são outros, diferentes dos da minha infância e diferentes, também, da infância dos meus filhos. Agora é preciso forçar o momento e o espaço do livro, estabelecer uma cumplicidade que justifique o refazer de rituais tão afastados desta cultura infantil assente em sons de áudio, imagens de vídeo, truques de vozes gravadas e accionadas por minúsculos botões ocultos na contracapa, reproduzindo um imaginário prefabricado que reduz a criança ao mais passivo dos personagens.</p>
<p>Mas se conseguirmos esse tempo e esse espaço rapidamente reconstruímos o ritual: um colo, duas mãos, duas vozes e &#8220;papéis pintados de tinta&#8221;. O efeito, como pude comprovar, é mágico e vale a pena.</p>
<p>Com a devida vénia ao <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1315119&amp;seccao=Maria%20Jos%E9%20Nogueira%20Pinto&amp;tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em></a>.</p>
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		<title>A vingança e o perdão</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 21:34:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eurico de Barros &#8211; Com um orçamento minúsculo mas dois grandes actores (Liam Neeson e James Nesbitt), &#8216;Cinco Minutos de Paz&#8217; evoca, sem simplismos, os conflitos entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte
Num fim de tarde chuvoso de 1975, em Lurgan, na Irlanda do Norte, um jovem de 16 anos chamado Alistair Little, militante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignright" title="Cinco Minutos de Paz" src="http://dn.sapo.pt/storage/ng1169305.jpg?type=medium&amp;pos=0" alt="" width="281" height="190" />Eurico de Barros</strong> &#8211; Com um orçamento minúsculo mas dois grandes actores (Liam Neeson e James Nesbitt), &#8216;Cinco Minutos de Paz&#8217; evoca, sem simplismos, os conflitos entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte</p>
<p>Num fim de tarde chuvoso de 1975, em Lurgan, na Irlanda do Norte, um jovem de 16 anos chamado Alistair Little, militante de uma organização armada protestante, matou a tiro um rapaz católico de 18 anos, James Griffin, como represália e aviso contra os atentados do IRA. Joe Griffin, apenas com 11 anos, assistiu ao assassínio do irmão mais velho.<span id="more-1044"></span></p>
<p>Little foi preso, condenado pelo homicídio de Griffin e detido por tempo indeterminado, já que, por ser menor, não podia ser formalmente condenado pelo crime. Na cadeia, Alistair Little dedicou-se a ajudar outros homens que, como ele, mataram pessoas movidos pelo ódio entre as comunidades católica e protestante irlandesas, e foram depois tomados pela culpa e pelo remorso.</p>
<p>Em Cinco Minutos de Paz (estreia-se hoje), o realizador alemão Oliver Hirschbiegel, autor de A Queda, e o argumentista Guy Hibbert propuseram-se dramatizar este episódio dos conflitos no Ulster, partindo do facto real &#8211; o assassinato de James Griffin por Alistair Little, testemunhado por Joe Griffin -, mas dando-lhe depois seguimento ficcional.</p>
<p>Assim, e depois de terem obtido o consentimento dos verdadeiros Little e Griffin, foi decidido imaginar o que teria acontecido se assassino e testemunha se encontrassem mais de 30 anos depois, num programa de televisão que pretende pô-los frente a frente, em nome do &#8220;perdão&#8221; e da &#8220;reconciliação&#8221;, fazendo deles representantes simbólicos das duas partes que se massacraram anos a fio.</p>
<p>Cinco Dias de Paz é interpretado por Liam Neeson (Alistair Little) e James Nesbitt (Joe Griffin). Segundo Neeson, &#8220;estamos a sair de 30 anos de violência, ódio e desconfiança extremos, e este filme, embora de ficção, é sobre dois homens que tentam abordá-los, de algum modo&#8221;.</p>
<p>Ao fazê-lo, Cinco Minutos de Paz revela-se como um dos filmes mais intensos e originais, e menos simplistas e maniqueístas já rodados sobre este tema, e uma das boas surpresas do anémico Verão cinematográfico de 2009.</p>
<p>Com a devida vénia ao <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1314857&amp;seccao=Cinema"><em>Diário de Notícias</em></a>.</p>
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		<title>Festival Folk Celta 2009</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Jul 2009 00:06:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Eventos]]></category>
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		<description><![CDATA[Ponte da Barca acolhe mais uma vez o Festival Folk Celta que trará até este Concelho do Alto Minho nomes do que mais representativo se faz nesta área da música. O evento decorrerá em dois dos mais emblemáticos locais deste município: em Lindoso junto às Portas do Parque Nacional da Peneda Gerês e no Choupal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-998" title="Festival Folk Celta" src="http://pt.altermedia.info/images/Festival-Folk-Celta-205x300.jpg" alt="Festival Folk Celta" width="205" height="300" />Ponte da Barca acolhe mais uma vez o Festival Folk Celta que trará até este Concelho do Alto Minho nomes do que mais representativo se faz nesta área da música. O evento decorrerá em dois dos mais emblemáticos locais deste município: em Lindoso junto às Portas do Parque Nacional da Peneda Gerês e no Choupal em Ponte da Barca junto às margens do Lima. O programa será completado com animações de rua nas Portas do Parque e em Ponte da Barca com diversas outras actividades que complementarão o programa que proporcionará assim ao público a oportunidade de conviver e desfrutar do cruzamento de sonoridades musicais folk e celtas.</p>
<p>Locais:<br />
Choupal – Ponte da Barca e Portas do Parque Nacional da Peneda Gerês – Lindoso<br />
<strong>Entrada Livre</strong></p>
<p>Mais informações: <a href="http://folkceltabarca.wordpress.com/" target="_blank">http://folkceltabarca.wordpress.com</a></p>
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		<title>Ole S. Nevenius e os nossos eléctricos</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jul 2009 15:38:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Identidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Eurico de Barros &#8211; Em Maio de 1979, fez agora 30 anos, um turista sueco chamado Ole S. Nevenius, engenheiro e apreciador de eléctricos, bem como de todos os tipos de transportes públicos movidos a electricidade, como elevadores, tróleis e funiculares, esteve em Lisboa com a sua máquina fotográfica. Obviamente extasiado com a quantidade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignright size-medium wp-image-993" title="Lisboa vista por Ole Nevenius" src="http://pt.altermedia.info/images/electricos-200x300.jpg" alt="Lisboa vista por Ole Nemesius" width="200" height="300" />Eurico de Barros</strong> &#8211; Em Maio de 1979, fez agora 30 anos, um turista sueco chamado Ole S. Nevenius, engenheiro e apreciador de eléctricos, bem como de todos os tipos de transportes públicos movidos a electricidade, como elevadores, tróleis e funiculares, esteve em Lisboa com a sua máquina fotográfica. Obviamente extasiado com a quantidade de &#8220;amarelos&#8221; da Carris que cruzavam a cidade em todas as direcções, varando ruas, atravessando avenidas, trepando colinas, descendo encostas e serpenteando por betesgas, o senhor Nevenius pegou num mapa da capital com o registo das carreiras dos eléctricos, e desatou a fotografá-los com gosto e entusiasmo ao longo de Lisboa.</p>
<p>Por um daqueles fenómenos de simpatia em que a Internet é fertilíssima, muitas dessas fotos apareceram há alguns dias num thread sobre Lisboa, intitulado &#8220;Memórias de Lisboa&#8221;, que é parte do site www.skyscrapercity.com. As imagens, todas a preto e branco, são um imenso regalo, não só para quem gosta de eléctricos (e só restam cinco carreiras na capital) como também para quem gosta de Lisboa e de ver fotografias que mostram como a cidade era no passado &#8211; distante ou mais recente &#8211; e como mudou. As fotos publicadas foram todas tiradas no mesmo dia, 17 de Maio de 1979. E não contente em ter andado por onde quer que houvesse eléctricos na capital, Ole S. Nevenius até conseguiu ir fotografá-los à estação de recolha e reparação de Santo Amaro.<span id="more-992"></span></p>
<p>Além dos eléctricos em si, e de Lisboa, dos lisboetas ainda vestidos à anos 70 e dos automóveis de há 30 anos que aparecem em pano de fundo, as fotos têm o atractivo acrescido das publicidades que aparecem nos eléctricos, quase todas a produtos que já entraram para a história do consumo nacional. &#8216;Taky-Depilatório Francês&#8217;, lê-se num cartaz no tejadilho de um &#8220;amarelo&#8221; que passa em S. Bento. Outro, que sobe uma ruela na mesma zona, anuncia: &#8216;Triol Limão, Tripla Limpeza à Sua Mão!&#8217; Outro ainda, a manobrar na Graça, publicita &#8216;Floral. A Natureza Serve a Beleza&#8217;. O da carreira 24 proclama as qualidades da água de colónia e do after shave SIR, enquanto o 23 passa pelo Largo do Rato a anunciar que com &#8216;Restaurador Olex os Cabelos Voltam à Sua Cor Primitiva&#8217;. O 28 desce por sua vez a Victor Cordon todo enfeitado com publicidade às alcatifas Fercol, Meraklon e Toraylon, e no 7 para o Alto de S. João lê-se a todo o comprimento &#8216;Com BB Familiar, Economia no Lar &#8211; Laranja, Cola, Ananás&#8217;.</p>
<p>Uma rápida pesquisa pela Internet revela que Ole S. Nevenius também andou pelo Porto e em Coimbra no mesmo ano, já nos meses de Verão, a fazer o mesmo que em Lisboa: fotografar o máximo de eléctricos possível, antes que desaparecessem quase totalmente. E foi assim que, passados precisamente 30 anos, um turista sueco com a paixão dos &#8220;amarelos&#8221; fez aquilo que nenhum português se lembrou, e esta memória visual de quando os eléctricos ainda eram coloridos emblemas em movimento das nossas cidades acabou por ficar registada online para a posteridade. Levando o Triol Limão, o Restaurador Olex e as Alcatifas Fercol, Meraklon e Toraylon à boleia.</p>
<p>Com a devida vénia ao <a href="http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1293070&amp;seccao=Eurico%20de%20Barros" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em></a>.</p>
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