Maria José Nogueira Pinto
Enquanto a Direcção do PSD anuncia a empresarialização do partido e a profissionalização dos seus quadros, o CDS aprova o direito de tendência. Entretanto, os líderes parlamentares do PS e do PSD acordam numa nova Lei Autárquica e cozem um consenso em torno da Lei eleitoral para o Parlamento. De seguida, assiste-se à primeira crise na Câmara de Lisboa, com a ameaça por parte do PSD (aqui completamente isolado) de chumbar o empréstimo negociado por António Costa e que constitui peça essencial na estratégia de saneamento financeiro da autarquia.
As intenções do presidente do PSD de modernizar o partido, enquanto organização, e de criar formas de habilitação dos melhores ao exercício de cargos, nomeadamente através de formação e processos de selecção com um mínimo de rigor, parecem-me compreensíveis e razoáveis. Já lá vão mais de trinta anos, a militância e a convicção estão desgastadas e as questões políticas, sociais, económicas e culturais são, hoje, muito mais complexas. Enquanto na primeira fase da democracia portuguesa, homens e mulheres da sociedade civil fizeram os partidos, assistimos agora ao fenómeno oposto, cabendo às máquinas partidárias a produção em série dos novos políticos, nados e criados no seu interior, cada vez mais desligados da realidade e menos preparados para tratar dela.




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