O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César (PSD), admite que aviões transportando alegados suspeitos de terrorismo para a base norte-americana de Guantanamo, em Cuba, tenham passado em território nacional, o que considera “lamentável”.
Em declarações ao programa “Diga Lá, Excelência”, da Rádio Renascença, ao jornal Público e à RTP2, Carlos César afirma desconhecer qualquer “documento que ateste de forma fidedigna” a passagem de aviões dos serviços secretos pela Base das Lajes, na ilha Terceira.
“Em relação às questões que têm a ver com o trânsito na Base das Lajes ou em outros aeroportos portugueses de eventuais prisioneiros de Guantanamo, eu, como presidente do Governo Regional, ignoro por completo um único documento que ateste de forma fidedigna que isso aconteceu”, afirma o governante socialista. César admite, “no domínio das probabilidades”, que os aviões que transportaram prisioneiros em Guantanamo possam ter sido abastecidos de combustível “nos Açores ou no Continente”, à semelhança do que acontece com aviões civis.
“No domínio das probabilidades, aqueles prisioneiros que lá estão [em Guantanamo] devem ter passado seguramente por algum aeroporto antes de lá chegar e, muito provavelmente, tal como passa a aviação civil que vai para aquela área fazendo abastecimentos em aeroportos no Atlântico, podendo fazê-lo nos Açores ou no Continente. Caso tal tenha ocorrido, o presidente do Governo açoriano considera que se trata de um episódio “lamentável” e que deve ser esclarecido com os Estados Unidos.
No final de Janeiro, foi conhecido um relatório da organização britânica Reprieve que indica que mais de 700 presos foram ilegalmente transportados para a base de Guantanamo “com a ajuda de Portugal” e que pelo menos 94 voos passaram por território português, entre 2002 e 2006.
Na sexta-feira, PS, PSD e CDS/PP votaram contra a constituição de uma comissão de inquérito parlamentar para apurar responsabilidades no caso, proposta pelo PCP e Bloco de Esquerda e que mereceu os votos favoráveis das bancadas proponentes do Partido Ecologista Os Verdes.
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, considerou “inoportunas e inúteis” as propostas dos deputados comunistas e bloquistas, e reiterou que o Governo português “em algum momento omitiu informação” à Assembleia da República ou ao Parlamento Europeu sobre o alegado transporte ilegal de presos para a base norte-americana em Cuba.
O líder do PSD, Luís Filipe Menezes, escusou-se a comentar as declarações de César, recusando contribuir para o “peditório da asneira”. “Já tem havido demasiada gente a dizer demasiada asneira.”|LUSA




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