Manuel Abrantes – Há já algum tempo que não escrevo directamente para os Nacionalistas.
Entendo que está na altura de o fazer.
Vivemos momentos conturbados em termos económicos, com a agravante do sistema politico vigente ter entrado numa espiral de descrédito público.
São as escutas é a corrupção – enfim – é uma panóplia de casos que nada dignificam o sistema politico.
E não é só o sistema em causa, é a própria classe politica que, também, caiu no descrédito.
Se, perante todo este cenário, o pensamento politico Nacionalista não consegue implantar-se, algo está mal nos defensores desta linha de pensamento politico.
Também, aqui, o erro não está nas populações mas nos políticos.
Na minha opinião o problema reside no facto de ninguém desta área ter, ainda, definido claramente o que é o pensamento Nacionalista.
Todas as pessoas com que falo, e que até tenho trabalhado politicamente, mas que não se assumem como sendo politicamente Nacionalistas, também me dizem que são defensores da Nação e que por isso, também eles, são Nacionalistas.
Defendem a Nação como eu defendo. Podemos ter divergências de ordem estratégica ou, até, de fraseologia, mas não deixamos de assumir a nacionalidade como factor perseverante.
O problema é que grande parte dos que se assumem como Nacionalistas são saudosistas de sistemas políticos que já não se coadunam com os dias de hoje. Por exemplo: não são, meramente, contra a forma de gestão do actual sistema Democrático, são contra a própria Democracia.
Pessoalmente, sempre me assumi como Nacionalista sem deixar de defender a Democracia como o melhor sistema para os dias que correm. Isto, até “inventarem” outro (sistema politico) melhor…
Gostem, ou não, alguns ditos nacionalistas, nenhum sistema ditatorial tem o apoio das populações. Esta é que é a verdade. E, enquanto não perceberem isso, não passam de grupinhos desgarrados sem qualquer futuro.
E o problema, é que o Nacionalismo está conotado com esse tipo de gente. Por isso, não existe expressão pública sobre as linhas assumidamente Nacionalistas.
Esta é que é a verdade, mesmo que ela doa.
O PNR – único partido que se assume como Nacionalista – tem militantes activos. Tem!
Mas onde é que estão os quadros ?
Não há quadros, não há propostas de alternativas politicas nos diversos sectores da vida nacional.
Não basta dizer que isto está mal. Isso, todos nós o sabemos.
Onde é que estão as propostas para – por exemplo – uma nova Lei da Imigração?
Não há!
E, porque é que não tem quadros para propor novas leis, novo sistemas financeiros, etc, etc ?
Provavelmente, porque os possíveis quadros com formação e competências para esses sectores têm vergonha – sim: vergonha! – de se filiarem num partido com as conotações como tem o PNR.
Pensam que não há economistas, juristas, técnicos agrários, etc, etc, que não se sentem atraídos pelo pensamento assumidamente Nacionalista ?
- Há. Podem crer.
Não acreditam é no partido, nem se querem ver colados à imagem que ele tem.
E isto não se passa só com pessoas com formação académica, passa-se com o cidadão comum.
Pensem nisto.
Com a devida vénia ao Estado Novo.



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