Jaime Nogueira Pinto – Volto a Lisboa depois de dez dias em Angola, nesta semana eleitoral “europeia”: os cartazes do PS começaram com Vital Moreira, em pose sonhadora, tipo anos 60, “Nós europeus?” Depois, por estratégia de fundo ou decisão dos marqueteiros, o candidato foi-se dissolvendo entre os engenheiros – Guterres e Sócrates – e entidades metaeleitorais – como o Tratado de Lisboa. Com razão; o cabeça-de-lista não parece – como se diz em economês – acrescentar valor.
Pelo contrário, o PSD tem como cabeça de cartaz Paulo Rangel – que é uma raridade, ao ser um político activo e no activo, capaz de oratória de comício e com cultura política. Como Jaime Gama, Pacheco Pereira, Lobo Xavier, Ruben de Carvalho e Fernando Rosas. Mas Rangel espera mais da Europa do que ela pode dar, embora invoque a prioridade do interesse nacional. Em que ficamos?
Os comunistas continuam no género caseiro de Ilda Figueiredo. Deixaram de ser o partido da faca nos dentes e de comer – como os fascistas – crianças ao pequeno-almoço! Talvez ainda as comam na Coreia do Norte, que não elege deputados para o PE.
Miguel Portas, cabeça do BE, tem aquele ar dos utópicos civilizados que dantes liam Barthes, Lacan e Saint-John-Perse. Agora são ambientalistas, gostam dos Pink Floyd, e têm soluções porreiras para quase tudo. Querem uma Europa suave, os direitos dos palestinianos, o combate aos grandes e obscuros interesses. Como toda a gente. O pior (do cartaz) é a presença catatónica de Louçã.
O candidato do CDS-PP, Nuno Melo, arranjou um ar olímpico – bonapartista, a esclarecer que não brinca – nem aos polícias, nem aos políticos, a nada. Good for him!
Laurinda Alves ganharia pelo “charme”. É discreta, séria, uma pessoa decente e empenhada. Só não se sabe qual é a política do movimento que representa.
E depois há o enigma dos MMS (?), estes jovens vestidos de executivos de grandes superfícies (dantes eram “os homens da “Regisconta”) que distribuem panfletos com medi- das populistas e que ninguém sabem quem são, de onde vêm nem para onde vão?
Entre todos, o meu coração – e a minha cabeça – balançam pouco. Interessava-me saber deles uma coisa a que não respondem: como hierarquizam a UE e Portugal, a confederação e a nação? Quem deve mandar em quê? Para qual destas comunidades deve ir a lealdade primeira? E até onde – à integração económica, financeira e fiscal – deve ir uma integração política? Isso não me dizem ou dizem o que não gosto de ouvir.
Com a devida vénia ao I Online.



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