Pedro Guerreiro & Margarida Davim
Os militantes nacionalistas do Partido da Nova Democracia (PND), liderado por Manuel Monteiro, ameaçam «recorrer aos tribunais» contra o que entendem ser uma «inadmissível limitação de direitos civis», disse ao SOL José Manuel Castro.
Castro – que além de militante da Nova Democracia, é líder do recém-criado Movimento Nacionalista e advogado do skinhead Mário Machado – reagia assim ao anúncio feito por Monteiro de que a direcção do PND analisaria «ficha a ficha» todos os militantes para expulsar quem tivesse pertencido ao nacionalista PNR.
Também Emanuel Guerreiro – ex-PNR afastado por Manuel Monteiro da liderança da distrital das Novas Gerações de Lisboa – quer «recorrer ao Tribunal Constitucional em caso de expulsão», disse ao SOL, anunciando a intenção de apresentar uma queixa por difamação contra o actual líder da juventude partidária.
Cresce oposição interna
A reacção de Manuel Monteiro à entrada de nacionalistas no Partido da Nova Democracia fez subir o tom da contestação à sua liderança.
Susana Barbosa, líder da distrital de Aveiro do PND, acusa Monteiro de promover uma «caça às bruxas» e de deixar o partido «refém da sua indecisão» quanto ao futuro da liderança, após a derrota nas eleições intercalares autárquicas de Lisboa.
«Uma reflexão que já leva três meses é incomportável para qualquer partido», critica a dirigente, que diz não compreender o que levou Manuel Monteiro a adiar por duas vezes a realização de um Conselho Geral.
A militante – que pretende disputar o lugar de Monteiro, e conta com o apoio do sector nacionalista – diz-se «totalmente contra» a prometida expulsão do PND de membros com ligações a movimentos nacionalistas, anunciadas na semana passada por Manuel Monteiro ao SOL.
Susana Barbosa relativiza o passado dos elementos que vieram do Partido Nacional Renovador. «Se se filiaram no PND é porque não concordavam com o PNR, que não deixa de ser um partido democrático», afirma a empresária de 43 anos e antiga aluna de Manuel Monteiro.
Com um clima interno cada vez mais hostil, o líder da Nova Democracia prefere remeter-se ao silêncio «para não alimentar folhetins».
Manuel Monteiro refere-se mesmo aos seus opositores como «meia dúzia de gatos pingados» aos quais não pretende dar importância.



