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Altermedia Portugal: Numa era em que a mentira é universal, dizer a verdade é um acto revolucionário. (George Orwell)
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Sobre a hora

10:50 pm · Post your comment (No Comments)

 Camisa Negra

Enquanto alguns proclamam que “Global warming” is not a global crisis, e lançam solenemente a Manhattan Declaration on Climate Change, por cá tivemos a maior mobilização de sempre de uma classe profisional contra o estado do respectivo sector, e em Espanha houve eleições gerais.

Quanto às polémicas climáticas e respectiva relevância aconselha-se a maior prudência: leiam-se estes defensores do CO2, ouçam-se também os catastrofistas do efeito estufa, e mais todos os Al Gore associados, veja-se o que diz Bjorn Lomborg, outro céptico em liça, e sempre com um pé atrás, que nisto do tempo que faz ou vai fazer o Criador não passou procuração a ninguém (e o único método seguro era esperar para ver, mas para isso nenhum de nós tem tempo).

Quanto à indignação dos docentes, muito haveria a dizer. É um fenómeno singular, uma manifestação de rejeição e de revolta como não se tinha visto - mas terá consequências da mesma proporção? Ou irá esvaziar-se, como um balão, e não deixar rasto político que se veja? Esta gente que se manifestou agora foi a que deu a vitória a Sócrates. Fugirá amanhã das redes socialistas? Será possível ainda ver o PCP, de momento o principal beneficiário desta revolta, aparecer como um partido representativo dos sectores urbanos e da classe média, à medida que se esvazia do seu eleitorado rural, campesino e proletário? Tinha graça, embora provavelmente o Bloco de Esquerda e o PS não se rissem muito com a piada.

Em relação ao que deveria ser a oposição, isto é o PSD e o CDS, pouco há a dizer que não se diga por aí fora todos os dias. Por agora não é possível calcular até onde poderão as inenarráveis lideranças de Menezes e de Portas fazer descer os respectivos partidos. Pode ser que sobrevivam, mas há lugar a dúvidas.

No tocante aos resultados das eleições em Espanha, uma certeza: acentua-se a bipolarização. Todos perderam para o PSOE e para o PP, nalguns casos fragorosamente (o Partido Comunista afundou-se). Quanto aos partidos da área nacional, que aqui já tinha comentado criticamente, observa-se o óbvio: as votações obtidas são ainda piores do que em 2004 (até poque decorreram quatro anos, que era suposto não terem sido perdidos). A Falange consegue mais uns votos, devido à reunificação de uns dissidentes, mas será vitória passar de 12.000 para 13.000 votos? A Democracia Nacional, claramente enfraquecida nos últimos tempos, baixa de 15.000 para 12.ooo votantes. Os restantes ainda estão pior: España 2000 e Alternativa Espanhola, por esta ordem, surgem na casa dos 7.000 votos. E não vale a pena referir outros, alguns com votações a que temos de chamar ridículas.

Como já não é a primeira vez, interrogo-me se será desta que alguma lição será tirada do desastre. Continuarão os militantes da área nacional em Espanha a fazer política exclusivamente virada para dentro, em infindáveis competições internas que só interessam aos próprios? Quando se lembrarão de começar a fazer política para o país, para o exterior das suas capelinhas, e de acordo com o tempo presente? Aqueles cenários de reconstituição histórica, aquelas encenações de outras eras, continuarão a ser as únicas formas de actividade política praticada?

Vanguardas, sede vanguardistas! Procuremos os caminhos que nos conduzam à frente dos nossos adversários, em vez de andar permanentemente atrás deles a denunciar o que fazem e o que não fazem! Sejamos criadores, e verdadeiramente revolucionários! Sejamos nós a construir a História, e os reaccionários que sejam eles!

Em Espanha como em Portugal, o autocomprazimento de alguns, a autosatisfaçãozinha, o narcisismo, são venenos mortais. Não é verdade que as coisas vão bem, e não podemos condescender com essa mentira. O tempo urge, e só a insatisfação nos levará a procurar os rumos do futuro. Queira Deus que a inquietação sacuda as fileiras e um vento novo sopre a reanimar as chamas. Do que está já conhecido, experimentado e gasto nada mais virá.

Sejamos subversivos, ousados, inovadores, encontremos outras formas e outras vias, ou acabaremos mortos de vida em pé.

(Via Fascismo em Rede)

Tags: Política Nacional

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