A associação Terra, Identidade, Resistência achou por bem assinalar o passado dia 1 de Dezembro com uma pequena conferência cuja temática focava o que fazer “Pela Independência da Europa”, além do camarada A. que discursou em nome da TIR participaram também dois camaradas estrangeiros – assinalando deste modo a necessária cooperação entre patriotas europeus para salvaguardar o futuro de todas as nações europeias – que assinalaram quais as suas opiniões, realçando que estas não eram necessariamente as das suas respectivas organizações. Os oradores convidados foram o camarada S. do partido britânico National Front (partido que comemorou em Março deste ano o seu 40º aniversário) e o camarada E. do partido espanhol Alianza Nacional, os dois discursos defendiam pontos de vista antagonistas, estratégias e modos de estar na política bastante diferentes, o que só enriqueceu o debate posterior.
O primeiro a discursar foi o camarada S., que milita na National Front desde 1974, que resumiu o seu percurso e realçou a importância de concorrer em eleições de modo a que as pessoas saibam da existência de alternativas, neste ponto realçou que foi ao ver a campanha da NF nas eleições de 74 que lhe deram a conhecer pela primeira vez a existência duma alternativa patriótica aos partidos do sistema.
O discurso de S. realçou em grande parte o nacionalismo autonomista, das pátrias independentes contra uma União Europeia centralista na qual os nossos países são reféns das decisões arbitrárias dos corruptos comissários europeus. Outro ênfase foi o da alteração que a política suicidária de imigração tem levado a cabo na Inglaterra, particularmente, e no Reino Unido, como um todo. O mesmo realçou que actualmente, devido à quantidade gigantesca de pessoas a chegar, as cidades estão a ocupar os campos, chegando ao cúmulo de se estar a construir sobre terra arável, campos de agricultura, e algumas reservas naturais. O mesmo realçou que esta não é uma posição racista, uma vez que também se opõe à imigração de Leste: o problema não são as raças dos imigrantes, é a quantidade de imigrantes que estão a chegar e o modo em como isso está a afectar a identidade dos ingleses e a servir como arma nas mãos dos capitalistas para obrigarem os trabalhadores a aceitaram ordenados mais baratos, uma vez que existe mão de obra abundante e barata.
O discurso do camarada E., dirigente da Alianza Nacional na zona da Catalunha, foi muito mais à esquerda, o mesmo começou o seu discurso realçando que “a AN não é um partido de extrema-direita” e defendeu, essencialmente, medidas socialistas e revolucionárias, com um pequeno elogio a Maio de 68, em que a juventude rebelde saiu à rua e fez algo, deixaram de parte os dogmas antifascistas e fascistas e atacaram em conjunto o sistema (realçamos aqui o esforço dos situacionistas, embora o camarada E. não o tenha efectuado). Os nossos inimigos são tanto a extrema-direita quanto a extrema-esquerda.
A principal diferença deste discurso foi, além do seu teor revolucionário e ênfase socialista, a defesa das ideias de Thiriarth, da Europa como pátria comum, uma pátria com muitos povos. A necessidade da bipolarização após a queda da União Soviética, a aliança com poderes externos – com realce para a República Islâmica do Irão – e, quando alguém na assistência questionou acerca da Venezuela, o camarada realçou o seu apoio ao anti monarquismo de Chávez na polémica mais recente, elogiou diversas medidas da República Bolivariana, mas realçou que na sua opinião via coisas boas e más na Venezuela, e que portanto não podia dizer se apoiava ou não o regime, limitava-se apenas a realçar o que existe de bom e de mau na Venezuela, realçando a necessidade de imporem maiores medidas anti tráfico de droga na mesma.
De realçar que o camarada se referiu aos seus camaradas como revolucionários, e não como sendo nacionalistas. E ser revolucionário, isso sabemo-lo nós, não é para todos.
Por último discursou o camarada A. da TIR, realçando a fase actual da organização realçou as principais diferenças entre nós e os restantes grupos e partidos nacionalistas, “a TIR é primeiro socialista, e só depois nacionalista”, sendo o combate ao capitalismo o principal combate da associação que, realçamos, é das poucas a reconhecer a existência da luta de classes no combate político.
Realçou também a necessidade do activismo de rua, uma vez que no papel já se revolveram todos os problemas do povo milhentas vezes, mas na prática os nacionalistas não estão nas ruas com o povo, a esmagadora maioria nem conhece o seu povo nem os desejos do mesmo.
A audiência da conferência rondou as 40 pessoas, um número bastante superior compareceram nos concertos organizados para o serão, mas como não se tratavam de revolucionários mas meramente de jovens sedentos de um bom bocado com música ao vivo não contam para o evento. Passemos então aos concertos.
As bandas politizadas foram os nacionais Guarda de Honra e os espanhóis Invictos, a banda que fechou a noite foi uma banda local de heavy metal cujo nome não consegui entender e, não sendo politizada, cremos também que se sentirão mais confortáveis se lhes salvaguardamos o nome.
Tem sido política da TIR auxiliar na organização concertos de de bandas normais com bandas politizadas, uma vez que quando a música politizada surgiu inicialmente o objectivo era tocar em concertos “normais” para gente “normal” de modo a despertar a consciência do público para certas realidades, infelizmente temos notado que um pouco por todo o lado cada vez mais as bandas nacionalistas tocam apenas para nacionalistas à porta fechada, e o mesmo vale para as comunistas e anarquistas: cantam e tocam para si, para os amigos, para os convertidos, ora bem, assim não se passa mensagem a ninguém.
Os Guarda De Honra surpreenderam, pessoalmente acredito que foi a sua melhor performance – que eu tenha testemunhado – sendo notável a evolução técnica da banda (com novo baterista) como um todo e uma evolução surpreendente por parte do vocalista, que finalmente achou o seu tom de voz mais natural, não que os registos anteriores fossem maus, mas os actuais estão muito melhores. Recordou-me os Mata-Ratos do álbum Sente o Ódio, mais harcdore mas ainda melodioso o suficiente para o singalong.
A segunda banda da noite foram os Invictos, num registo também cuidadoso e profissional mas mais calmo, baladas a condizer com a bela voz da sua vocalista, algumas das músicas até nos aqueciam o coração.
Por último, o regresso às hostilidades, numa hábil mistura de thrash com um cheirinho a black metal. Surpreendeu-nos a qualidade da banda em palco, um som extremamente profissional, acreditem-nos quando vos dizemos que andam por aí bandas com discos gravados com menos qualidade que esta. Um final em grande, portanto.
A TIR em marcha, para o incómodo de muitos e alegria de uns quantos.
TIR: conferência & concerto de 1º de Dezembro
December 3rd, 2007 · Post your comment (No Comments)
Tags: Cultura · Política Nacional




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