Vítor Ramalho
Com a prosápia que lhe é característica e recorrendo ao populismo que lhe está na alma, o primeiro ministro do capital pediu ao parlamento para votar o triste tratado que para vergonha de Portugal e dos portugueses vai ter o nome da nossa capital.
Em primeiro lugar se existe um consenso alargado nunca um referendo iria por em xeque a posição de Portugal, uma que o referendo nestas condições iria ser sufragado por uma larga maioria. Existe é sim um amplo consenso nos partidos europeístas, que lacaios dos centros de decisão instalados nos grandes países esperam receber dos amos algumas migalhas do repasto.
Em segundo lugar se Portugal disse não ao tratado não se estava a por numa posição de inferioridade, estava sim a mostrar uma forte cultura politica e mostrar à velha Europa que o país de navegadores não se vende nem se deixa submeter.
O PS rasgou os compromissos eleitorais só para poder ver implementado um tratado que se chama de Lisboa, mas poderia perfeitamente chamar-se de Alguidares de Baixo, o que nos interessa no tratado não é o seu nome mas sim o seu conteúdo.
Ainda há pouco tempo, o Primeiro-ministro a perguntas dos jornalistas e quando exibia eufórico o novo tratado dizia que este era igual ao anterior, agora por qual passe de mágica, já usa o argumento da diferença para justificar a quebra da promessa eleitoral.
O que é um facto é que estes Ministros, este governo, este partido, este sistema cada vez mais temem o povo e cada vez mais por força disso o espezinham, tentam calar e amedrontar. Andam também para ai uns iluminados muitas vezes oriundos de uma esquerda burguesa e bem posta na vida que argumentam que não existe informação suficiente nem o povo está preparado para decidir sobre este assunto, no entanto vai ter que estar preparado para sofrer os malefícios do arranjinho.
Uma coisa é certa e os resultados não se vão fazer esperar, se estávamos reféns dos Senhores da Europa e do Mundo, se a nova Ordem Mundial já nos tinha reféns, agora vamos ficar completamente prisioneiros, sem recurso a precárias não vislumbrando no horizonte a redução da pena e se não comermos caldos vamos passar muitos dias na solitária. Se a vergonha era algo que já não abundava na classe política, este executivo soube criar novos parâmetros no que concerne á ausência da mesma.
Costuma dizer-se, “é quase caricato” mas, neste particular, é realmente caricatural, a argumentação ministerial acerca do tratado assinado ou assassinado em Lisboa.
As pressões e as promessas dos senhores de Bruxelas, falaram mais alto e o Durão terá agora retorquido ao companheiro Sócrates: “Porreiro pá, porreiro”…
Por ultimo vamos falar da esquerda chique e choque que nesta assunto defende com unhas e dentes o referendo, que grita que o povo em quem mais ordena, mas aquando da discussão do referendo sobre o aborto estava na disposição de resolver o assunto na Assembleia. A esquerda assim como a direita não são diferentes, o embrulho até o pode parecer, mas quando confrontados com a “prenda”, concluímos que é apenas mais do mesmo.




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