Quinze palestinianos, cinco dos quais crianças – uma delas com apenas seis meses de idade – morreram ontem na Faixa de Gaza na sequência de bombardeamentos israelitas. Estes ataques têm como objectivo acabar com o lançamento de rockets Qassam contra a cidade de Sderot, sul de Israel.
Um dos ataques de ontem ocorreu perto da casa de Ismail Haniyeh, o primeiro-ministro do Hamas, no campo de refugiados de Shati e fez um morto, segundo fontes palestinianas. Tudo indica que Israel pretendia, assim, enviar uma mensagem ao responsável palestiniano para que este exerça pressão sobre a ala armada do grupo integrista para que cesse o lançamento dos rockets que, na véspera, fizeram um morto em Israel.
O campo de refugiados de Jabalyia, no norte da Faixa de Gaza, foi também alvo de um bombardeamento da Força Aérea israelita que provocou a morte de quatro crianças, todas menores de 16 anos e três delas pertencendo à mesma família, segundo revelou o jornal israelita online Haaretz. Testemunhas oculares citadas pelo jornal afirmam que as crianças estavam a jogar futebol quando foram atingidas por um míssil. Um outro miúdo, de 12 anos, que ficou ferido no ataque acabaria por falecer no hospital.
O exército israelita, que assumiu estar a actuar contra os integristas em Gaza, manteve, porém, o silêncio sobre o bombardeamento a Jabalyia, um dos mais populosos campos de refugiados.
A maior parte das outras vítimas das operações israelitas de ontem eram activistas do Hamas. “Agradeço a Deus por este dom. Este é o 10º membro da minha família a receber a honra do martírio”, afirmou Khalil al-Haya, ao reconhecer o corpo do seu filho na morgue do hospital Shifa em Gaza.
Em Tóquio, onde se encontrou com a secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice, o primeiro-ministro israelita Ehud Olmert manifestou a sua determinação em prosseguir com as execuções sumárias dos responsáveis pelos lançamentos de rockets. “Obrigaremos os terroristas a pagar um preço muito elevado”, disse, enquanto, em Israel, o ministro da Defesa, Ehud Barak, afirmava não estar afastada a hipótese de uma “operação terrestre.”
Diário de Notícias, 29 de Fevereiro de 2008


