
Helena Tecedeiro
Causou polémica com a sua campanha racista e xenófoba, mas a União Democrática do Centro (UDC) foi a grande vencedora das eleições legislativas na Suíça. E se o partido da direita populista, que promete expulsar do país todos os criminosos estrangeiros, conseguiu o melhor resultado de um partido na Suíça desde 1920, os socialistas sofreram uma pesada derrota, perdendo votos, sobretudo, para os ecologistas.
Uma sondagem SSR-Idée Suisse realizada à boca das urnas dá à UDC 28,8% dos votos e mais sete lugares no Conselho Nacional, contra 19,1% para o Partido Socialista (PS), que perde nove lugares. O partido do milionário de Zurique Christophe Blocher melhorou assim o seu resultado histórico de 2003, quando obteve 27% dos votos e se tornou na primeira força política do país. A UDC deverá ainda beneficiar do descalabro dos socialistas, que faziam o seu contraponto à esquerda. Os Verdes são os outros grandes vencedores destas eleições ao obterem mais de 10% dos votos, ganhando cinco dos 200 deputados no órgão legislativo onde cada um dos 26 cantões tem uma representação proporcional à população.
Estes resultados são o corolário de uma campanha marcada por uma rara violência, que culminou com violentos confrontos entre a polícia e militantes da extrema-esquerda que tentavam impedir uma manifestação da UDC em Berna.
O partido de Blocher, xenófobo e anti-europeísta, esteve no centro do debate durante a campanha devido a um cartaz no qual uma ovelha branca expulsa com um coice uma ovelha negra do território suíço. Num país em que os estrangeiros representam 20% da população, o cartaz foi muito mal recebido. Ouvido pela BBC, Georg Lutz, analista na universidade de Berna, explicou que a economia Suíça depende dos imigrantes. “Se expulsássemos todos os imigrantes, a nossa economia entrava em colapso de um dia para o outro”, explicou o professor.
Apesar das críticas ao cartaz das ovelhas, que levaram inclusive o relator da ONU sobre o racismo a denunciar a campanha da UDC no Conselho dos Direitos Humanos, em Genebra, o partido garantiu que tudo não passou de um erro de interpretação. Os dirigentes da direita populista explicaram que apenas querem expulsar os estrangeiros que tenham cometido crimes. Mas a sua proposta de lei refere também o repatriamento das famílias dos criminosos.
Os críticos da UDC temem que este género de campanha destrua a imagem de consenso e tolerância que caracteriza a Suíça. conhecida internacionalmente pela neutralidade, além do segredo bancário, os chocolates e os relógios.
Mas as acusações de racismo e xenofobia parecem não ter prejudicado em nada a UDC. A sua vitória veio pôr fim às ambições do PS que pretendia expulsar Christophe Blocher do Governo. O actual ministro da Justiça e das Polícias viu a sua posição reforçada no Executivo suíço, no qual estão representados os quatro principais partidos do país. Em 2003, a vitória da UDC levou a uma mudança na chamada “fórmula mágica”. Desde 1959 esta estipulava haver dois ministros radicais, dois sociais-democratas, um democrata do centro e dois socialistas. Há quatro anos, a UDC ganhou um ministro aos democratas-cristãos.
A agressividade da campanha eleitoral fez temer o desaparecimento deste sistema único no mundo em prol da clássica divisão entre esquerda e direita.
Logo que foram conhecidos os resultados, o presidente da UDC, Ueli Maurer, garantiu que não pretende expulsar o PS do Governo, mas apelou a três dos ministros cessantes para colocarem o seu lugar à disposição quando da designação do novo Executivo, a 12 de Dezembro.
Fonte: Diário de Notícias



