A censura na internet está longe de se circunscrever à China. No muito democrático mundo ocidental multiplica-se o número de organizações, empresas, governos, que recorrem aos famigerados “filtros”. Com esta ferramenta impede-se o acesso a páginas julgadas indesejáveis: sexo, chat e, claro, “extremismo”.
Como é de esperar, isto abre um nicho de mercado para empresas que se especializem em tão emergente área de negócio. Uma destas empresas é a Websense (a que irresistivelmente apetece chamar “Webcensorship”), que categoriza os sites e depois oferece soluções às instituições que queiram bloquear o acesso a páginas que pertençam a uma ou mais categorias.
Imagine-se a discricionaridade que deve prevalecer nestas agregações. Para terem uma ideia, a malfadada categoria “Racism and Hate” engloba «páginas que promovem a identificação de grupos raciais (sic), a desconsideração ou sujeição de grupos, ou a superioridade de qualquer grupo». Tive já a oportunidade de navegar (melhor dizendo, de tentar navegar) numa rede que estava sob a alçada de tão temível filtro; entre as páginas a que é impossível aceder temos desde a de David Duke à de David Irving, passando pela Air Photo Evidence, sem esquecer as portuguesas Revisionismo em Linha ou Metapedia…
O poder que a Websense acaba por ter não é inóquo pois funciona como uma caução de bom comportamento social ao melhor estilo maoísta ou soviético. E o que também impressiona é imaginar a rede mundial de bufos sempre prontos a apontar o dedo a mais uma página maldita, a incluir no Index democrático.
(Via Odisseia)



