Por muito que o mundo embarque no frenesim do consumismo natalício, Vanuatu ruma, teimosamente, no sentido oposto. Está a relegar para segundo plano a economia monetária e a ressuscitar moedas de troca ancestrais, tais como suínos, caudas de suínos, conchas do mar e outros bens. Esta iniciativa tem sido auxiliada pelos receios de que o capitalismo destruísse o modo de vida tradicional de Vanuatu, baseado na agricultura de subsistência e complicadas trocas comerciais.
Surge a preocupação de que o ênfase na obtenção de riqueza material leve os ilhéus a trocarem o seu modo de vida rural pelo urbano, trocando o campo pelas várias cidades em redor da capital, Porto Vila, onde a esmagadora maioria teria que lidar com o desemprego, a pobreza e a frustração. Nas zonas rurais, por contraste, nem se ouve falar nem de fome nem de sem-tecto.
“A máxima do Banco Mundial e organizações semelhantes é o de ganhar a maior quantidade possível de dinheiro, o mais rapidamente possível, “ afirma Ralph Regenvanu, antropólogo do Centro Cultural Vanuatu e força motriz por trás da campanha. “A economia tradicional serviu-nos bem durante milhares de anos. Estamos a tentar preservar o nosso legado cultural”. O governo do primeiro-ministro, Ham Lini, declarou o ano de 2007 como sendo o Ano da Economia Tradicional, a iniciativa teve uma recepção tão positiva que o mesmo decidiu prolongá-la para 2008.
Assim se protegem as culturas e identidades locais do capitalismo globalizante destruidor de todas as culturas e povos.

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