Manuel Brás
De um momento para o outro começámos a ver grande parte dos políticos e jornalistas, que talvez sejam os verdadeiros políticos, pontificar sobre o clima. Mas como em política quase nunca interessa o que as coisas são, nem os factos, o que mais importa é encontrar culpados. Na política moderna e pós- moderna a culpa é fundamental. Estabeleceram assim que o Homem, isto é, os ocidentais, e mais minuciosamente, os americanos, são os culpados das variações climáticas, e o dióxido de carbono o gás satânico.
Na impossibilidade de acusar os judeus e o capitalismo pelos males do mundo, que melhor coisa para pegar senão o clima? Hoje, que a Europa carece das referências simbólicas de autoridade de outrora, como o bigode ou a estrela vermelha, que melhor coisa que o medo dos cataclismos antropogénicos para pôr o pessoal em sentido?
Entre os dias 2 e 4 de Março de 2008 realizou-se em Nova Iorque a 1ª Conferência Internacional sobre Alterações Climáticas subordinada ao tema “Global Warming is not a crisis”, em que participaram 550 cientistas e estudiosos, e algum ou outro político, mas poucos, como Vaclav Claus. Nela participaram, e desmitificaram o catastrofismo climático dos últimos anos, cientistas americanos, canadianos, russos, australianos, suecos, polacos, franceses, entre outros. Nela expuseram o seu saber e experiência cientistas como Anthony Watts, Robert Carter, Richard Courtney ou Zbigniew Jaworowski, só para citar alguns que merecem, de facto, o nome de cientistas, porque não são políticos disfarçados de cientistas.
Em resumo, denunciaram a leviandade com que se fala das alterações climáticas, ao fim e ao cabo, um fenómeno constante, que as observadas durante os últimos 200 anos se inscrevem dentro dos ciclos de variabilidade natural conhecidos, que não existe qualquer consenso sobre o assunto, que o efeito das actividades humanas, se existir, é pouco significativo em comparação com a causas da variabilidade natural. E que, portanto, não há evidências inequívocas de que o CO2 tenha o peso que lhe atribuem na variabilidade climática. Até pode suceder que seja a quantidade de CO2 a depender das variações climáticas. Daí que os impostos e taxas com que alguns governos pretendem penalizar certas actividades não só não têm sentido, como vão, provavelmente, fazer mais mal que bem. Há outras formas de abordar o problema do consumo de combustíveis fósseis e de gerir a sua utilização.
Tudo isto pode ser conhecido do leitor com mais pormenor através da Declaração de Manhattan, em http://www.heartland.org/Article.cfm?artId=22866 até porque os media de cá, como em geral os europeus, censuraram o evento.
Assim como hoje já ninguém fala da catástrofe da “explosão demográfica” e Paul Ehrlich foi esquecido, quem sabe se, daqui a 30 anos também já ninguém fala do “aquecimento global” e Al Gore também cai no esquecimento?
(Via Democracia Liberal)

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