Maria José Nogueira Pinto
O País oculto não se mostra e raramente se visita. Existe para além do que nos vai ocupando, e a sua expressão mais conhecida é estatística. É o Portugal dos indicadores que escondem caras e corações mas revelam causas e efeitos. Recentemente, a propósito de um trabalho que tive de fazer, debrucei-me sobre alguns desses indicadores e vale a pena referi-los.
Aumenta o desemprego com uma taxa acima da média da UE-25; mais de 70% da população empregada possui um nível de escolaridade igual ou inferior ao 3.º ciclo do ensino básico; os portugueses ganham menos 40% do que a média dos países comunitários; o nível de endividamento ultrapassa em 24% o rendimento anual dos agregados. Aumenta a carga fiscal e sobem as taxas de juro.
Quanto à demografia, regista-se um aumen-to da esperança média de vida. Seria verdadei-ramente um ganho se a situação dos idosos portugueses fosse outra. Assim, para muitos, signi-fica viver mais tempo em más condições. Em contrapartida, diminui o número de famílias com filhos e diminui o número de filhos por família, consolidando-se a predominância dos agregados constituídos por 2-3 pessoas; aumenta a idade da mãe ao nascimento do primeiro filho.




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