Flávio Gonçalves
Surpreende-me que nenhum movimento político português, seja de esquerda ou de direita e mais próximo ou mais à margem do “sistema”, esteja presente quando é realmente necessário junto do povo que todos sem excepção, até os partidos do sistema e o do regime, afirmam representar e querer defender. O povo sai à rua solitário, alheio à existência de todos aqueles que o dizem representar e defender mas que nunca aparecem.
Aparentemente os movimentos alternativos portugueses, sejam anarquistas, nacionalistas ou comunistas – com algumas, parcas, honrosas excepções do PCP e do BE – não gostam de se misturar com o povo que dizem representar e querer defender, é sintomático: mesmo os movimentos alternativos padecem do mesmo mal que o sistema, a burguesia e o namorisco com o capital estão presentes em todo o lado, acaba por ser uma questão de classe este afastamento entre o povo normal, aquele que trabalha todos os dias para pagar as contas e o empréstimo ao banco e na prática é de classe baixa, e todos os teóricos burgueses, da extrema-direita à extrema-esquerda, que afirmam defender esse povo mas que são de classe média-alta ou alta.
Os socialistas patriotas da TIR têm vindo a tentar colmatar este distanciamento entre o povo e a política alternativa, em boa parte poderá inclusive dizer-se que a TIR está com o povo porque a sua base militante é oriunda desse mesmo povo, das classes exploradas, o que nos coloca naturalmente ao seu lado no combate aos exploradores, as suas preocupações são as dos nossos militantes que sentem na pele os mesmos problemas e dificuldades em pagar as suas contas e empréstimos usurários que servem apenas para abastecer o grande capital, principal motor e dono dos políticos do sistema.
É o dever de qualquer revolucionário estar com o povo, os socialistas patriotas devem tomar como sua a causa do povo, já assim o dizia Lenine e foi exactamente essa frase de ordem que adoptamos para subtítulo da Resistir Online, certas verdades valem por si só.
O que mais nos tem surpreendido nos últimos actos em que estivemos presentes tem sido essa ausência, mesmo os comunistas e anarquistas convencionais presentes nestes protestos populares não têm ultrapassado a meia dúzia, onde estão os defensores do povo?



